Julieta

Em Fevereiro de 2011, fomos alertados para a presença da Julieta, uma tartaruga Caretta caretta arrojada na Praia da Física, em Santa Cruz ainda com vida. O seu estado de saúde era comprometedor e o seu prognóstico reservado. Apresentava 2 lesões extensas nas barbatanas do lado esquerdo, assim como variados ferimentos no pescoço e plastrão.A sua situação inspirava cuidados, não só pelos ferimentos, mas pela possibilidade de ter sido vítima de captura acidental em redes, e como consequência ter inspirado água que poderia causar complicações respiratórias.

A Julieta iniciou então o seu processo de recuperação e a sua estadia no CRAM-Q.

Os problemas respiratórios foram sendo superados com muita perseverança e o animal estabilizou. Infelizmente, as suas lesões permaneciam e a progressão das mesmas era muito lenta.

Em Novembro de 2011 e Julho de 2012 foi submetida a duas cirurgias para desbridamento cirúrgico das lesões.

julieta

Semanalmente eram realizados desbridamentos leves, com remoção de tecido não viável e purulento. Eram então colocados pensos sobre as lesões até ao momento de colocação da Julieta de novo na água. Estes pensos foram variados, passando desde pomadas com atividade enzimática a pensos de mel.

 

Em Outubro de 2013, a lesão da barbatana posterior tinha recuperado na sua totalidade e a da barbatana anterior já não representava um impedimento aos movimentos necessários para a natação.

A Julieta estava estabilizada, tinha triplicado o seu peso inicial e tinha agora todas as condições necessárias para a sua libertação. Para isso, foi colocado um emissor de satélite na sua carapaça, um identificador electrónico no pescoço e um brinco de marcação na barbatana anterior direita.

O animal foi levado até Portimão, onde, com a ajuda da Marinha Portuguesa, foi libertada a aproximadamente 10 milhas da costa.

Atualmente, continuamos a receber informação da sua localização geográfica e da sua capacidade de mergulho, permitindo-nos assim avaliar a sua progressão na vida selvagem.

A sua viagem encontra-se de momento restrita ao sul da Península Ibérica e os seus mergulhos demonstram que os 2 anos e 8 meses no centro de recuperação não a fizeram esquecer como viver sendo uma tartaruga marinha.

Nome do Paciente: Julieta
Espécie: Caretta Caretta (Linnaeus, 1758)
Causa da Entrada: arrojamento vivo com indícios de captura acidental (bycatch)
Categoria da Red List da IUCN: EN (em perigo)
Data de Entrada: 21 de Fevereiro de 2011 Data da Libertação: 11 de Outubro de 2013